Por Siula Almeida
O Distrito Federal enfrenta um grande problema relacionado aos seus terrenos. A ocupação está desgovernada e atualmente, um expressivo número de lotes irregulares vêm sendo reivindicados pelo governo, numa tentativa de organização do território federal.Em Taguatinga, atrás de uma das várias concessionárias do Pistão Sul e próximo ao maior shopping da cidade, um destes terrenos aparentemente irregulares abriga uma verdadeira comunidade. O local, aproveitado como depósito de lixo dos comércios locais, utiliza-se dos muros do metrô para definir suas fronteiras.
Uma quantidade enorme de crianças entre 0 e 5 anos convive diariamente com pneus velhos, restos de comida, animais mortos e outras adversidades que tornam o local impróprio para moradia. De pés descalços e sem escola, elas crescem (quando conseguem passar dos seis anos) num ambiente hostil, perigoso e sem perspectiva de melhora.
Segundo Maria*, 29 anos e cinco filhos, ninguém sabe a quem pertence de fato o terreno do lixão. “Já tentaram tirar a gente daqui umas duas vezes” diz ela, “mas ninguém diz para onde devemos ir”, completa. Já Ana*, 33 anos e seis filhos, um deles falecido, relata: “uma vez começou um incêndio aqui. Todo mundo correu para enterrar suas coisas, mas pouco salvou”. Engana-se quem pensa que com toda essa dificuldade, a comunidade do lixão é unida. “Na hora de se juntar para ficar aqui, todo mundo é amigo. Mas é só cair a noite que fica cada um por si. Deixar suas coisas soltas é pedir para alguém pegar. E o povo pega mesmo”, diz Eliana*, 21 anos com a caçula de apenas 2 meses nos braços.
Para sobreviver, além dos restos, o povo do lixão pede esmolas nos arredores. É comum ver famílias de cinco ou seis crianças, mendigando, sentadas em baixo dos outdoors próximos ao Carrefour e ao Extra. Ultimamente, a comunidade recebeu roupas e alimentos de estudantes universitários sensibilizados com as condições, mas ainda passa muita necessidade. Mesmo assim, os moradores nem pensam em sair de suas casas, no terreno sem dono.





